O Bar Semente

O Semente

O Semente é um palco localizado na Lapa, no Centro do Rio de Janeiro. Aberto nos anos 80, a partir de 1998 o espaço passa a receber rodas de samba, choro e apresentações de música instrumental e firma-se como um dos principais palcos na revitalização do bairro da Lapa. Antes situado na esquina da Rua Joaquim Silva, 138, mudou-se, em 2013, para a casa vizinha, na Rua Evaristo da Veiga, 149, em busca de maior capacidade e sustentabilidade no apoio a novos artistas e à música autoral.

A música começou em 1998, quando o Bar Semente nasceu e foi o precursor, lugar de vanguarda de uma geração de músicos e ponto de passagem na trajetória de músicos que inventaram a “nova Lapa”, como Teresa Cristina e Grupo Semente, Casuariana, Tira a Poeira, Yamandú Costa, Nicolas Krassik, Moyseis Marques, Zé Paulo Becker, entre outros.

O palco do Semente firmou-se como referência na atual cena da música popular e autoral no Brasil. E a geração Semente é formada por músicos instrumentistas que estão construindo uma trajetória consistente com uma linguagem própria e genuinamente brasileira. Músicos que já rodam o mundo levando esta música e atraindo artistas do mundo inteiro para encontros musicais no palco Semente, espaço que prima pela divulgação e formação de público para a música brasileira com uma linguagem nova e autoral.

Hoje o Semente é palco referência. A “geração Semente” leva a nossa música brasileira, principalmente instrumental, para os quatro cantos do planeta, divulgando e convidando artistas do mundo inteiro para encontros musicais, no palco Semente, que já recebeu visitas e canjas de grandes músicos brasileiros e internacionais como Chico Buarque, Ney Matogrosso, Jacques Morelenbaum, Leila Pinheiro, Ana Carolina, Guinga, Yamandú Costa, Marisa Monte, Beth Carvalho, Carlos Malta, Hamilton de Holanda, Zé Renato, Marcos Suzano, Gabriel Grossi, Nora Jones, Madeleine Peyroux, Gogol Bordello, Snarky Puppy, Dave Matthews Band, Kurt Mazur, Teresa Salgueiro e muitos outros, que experimentaram o ambiente musical vivo que se cultiva ali.
Nos últimos dois anos, a produtora Semente, além da intensa programação diária em seu palco, em sua maioria de música autoral, vem realizando quatro projetos importantes para registrar a sua trajetória na música brasileira: o DVD Geração Semente, que será lançado no segundo semestre de 2016, em parceria com o Canal Brasil; o documentário Semente da Música Brasileira, com lançamento previsto no Festival do Rio em 2016, também em parceria com o Canal Brasil; o CD coletânea de músicas autorais de artistas da geração Semente, com lançamento previsto para o ano de 2016; e a participação do Semente como um dos palcos do 53° Festival Vila Lobos, em 2015 e em 2016.

 

Um pouco da história…

Rua Evaristo da Veiga 149 – Lapa

O imóvel datado de 1912 apresentava a sua fachada em cor cinza claro e esquadrias em madeira natural (pinho de riga). Seus vizinhos eram um prédio residencial que também abrigava uma pensão no térreo (atual Bar Semente) e uma escola para motoristas chamada de Escola de Chauffeur Internacional (atual Irish Pub).

A casa São Martinho na época abrigava uma casa de móveis, a Leão da Lapa, a sala Cecília Meireles, um cinema e na área do Circo Voador, muitas casas e um restaurante tradicional Português, o Pastore. Nesta época, a Rua Joaquim Murtinho era basicamente residencial com poucas lojas: um armazém chamado Secos e Molhados e um bar de esquina frequentado por muitas “mulheres da vida”, inclusive por Madame Satã e outros personagens emblemáticos da vida noturna e marginal carioca na primeira metade do século XX

Em toda a região, conhecida como reduto carioca da malandragem e boemia na década de 1930, havia muitos cabarés: Cabaré Casa Nova (atual Lapa Mix), o Cabaré Danúbio e o Cabaré México. Na Rua da Lapa havia o Cabaré Brasil Dourado. A vida noturna da região sempre atraiu também artistas, pintores, poetas, compositores e cantores. Muitos moravam na região e de lá saíram para o mundo levando a cultura carioca. Dentre eles, Carmem Miranda, Gastão Formenti, Jacob do Bandolim.

 

O Casarão

De propriedade do Convento Santa Tereza, abrigava no segundo andar a pensão Olímpia fundada por italianos que preparavam as massas e molhos todas as terças e quintas. Seus clientes eram além de moradores da região, funcionários de empresas que estavam próximas à região, como a Mesbla, o banco Novo Mundo e a Rádio Nacional.

As divisões internas que configuravam os ambientes e dividiam espaços, foram demolidas ao longo dos anos, mas a casa ainda abriga revestimentos originais, como pisos em ladrilho hidráulico, tábua corrida, esquadrias, escada e corrimão. O telhado ainda é original e apenas a claraboia construída posteriormente. Das peças originais, o fogão que ainda funciona foi comprado pelo dono da pensão na antiga Fundição Progresso.

Uma curiosidade: em todas as casas via-se o retrato de Getúlio Vargas. Tal tradição virou tema de carnaval através da marchinha “Bota o retrato do velho”.

 

Música, arte e liberdade

O palco do Semente tem sido um instrumento que vem encorajando o desenvolvimento dos músicos, dando a eles a chance de realizar performances de alta qualidade criativa.  Muito mais que um simples bar de entretenimento funciona como uma “incubadora” musical que se mostrou uma engrenagem econômica eficaz, trazendo fãs do samba e do choro de todas as partes do mundo, além de vários jornalistas, cineastas e especialistas no campo das artes, servindo de ferramenta para contribuir na produção de conhecimento em arte no Brasil.

Junto a uma intensa programação diária, o Semente introduziu as séries das “Segundas Instrumentais na Lapa” com Zé Paulo Becker, hoje uma tradição.  As segundas-feiras, por ser o dia de folga dos músicos,  mobiliza o encontro de instrumentistas e intérpretes de gerações diferentes e linguagens plurais, oportunizando o enriquecimento, a troca de experiências e ideias musicais.

O que faz o Semente ser tão especial em suas noites musicais, é que o inesperado sempre pode acontecer. Não é raro ver músicos como Yamandú Costa, Alessandro Kramer, Guilherme Brito, Nicolas Krassik, Carlos Malta, Ronaldo do Bandolim, serem chamados para subir ao palco e darem suas “canjas”.

O Semente proporciona aos artistas a liberdade musical que eles desejam e, ao público, a chance de presenciar uma combinação de músicos em uma criação inesperada e inovadora. E tem sido o local carioca que acolhe o que está surgindo de mais autentico na música brasileira.